segunda-feira, 18 de junho de 2012

terça-feira, 22 de maio de 2012

Atividade para a Segunda Fase D (noturno) -
 - Copiar e responder no caderno as atividades que estão anexadas a estas informações.

África quadro econômico e político 
       Nessa aula vamos destacar mais alguns aspectos do continente africano.
Vamos tratar de suas atividades econômicas e alguns destaques geopolíticos.
Economia
O continente africano apresenta uma economia primária de exportação, por influência do colonizador europeu. Interessava aos colonizadores europeus transformar a África em um continente fornecedor de matérias-primas e fontes de energia para abastecer o mercado europeu. Toda a infraestrutura de produção e transportes no continente foi criada para atender a esse objetivo. Assim, notamos que as rodovias e ferrovias concentram-se junto ao litoral ligando áreas produtoras com portos exportadores. A rede de transportes da África é precária e as ligações interiores são quase inexistentes. Somente a África do Sul apresenta uma rede de transportes melhor estruturada. A maioria dos rios não é navegável por longas extensões devido ao relevo planáltico.
Extrativismo e Agropecuária
Nesse setor destaca-se a extração de madeira na porção central do continente, a África equatorial, onde se encontram densas florestas equatoriais. Mas o mais importante é a produção mineral para exportação. Como a industrialização é reduzida na maioria dos países africanos observamos a atuação de multinacionais da mineração extraindo os minérios desse continente para venda no mercado externo.
Um grande destaque nesse extrativismo é o petróleo, produzido em países como a Argélia, Líbia, Tunísia, Egito, Nigéria, Camarões, Gabão, Congo e Angola. O maior produtor de petróleo na África é a Nigéria que, junto com a Argélia e a Líbia, são membros da OPEP nesse continente.
Muitos outros minérios são encontrados na África, podendo ser destacados o ferro, cobre, diamante, ouro, fosfatos e bauxita (alumínio). Observe o mapa abaixo com a produção mineral no continente.
A atividade da agricultura é muito importante para a população e para os países desse continente. A agricultura de subsistência é uma atividade tradicional que sustenta muitos povos africanos há milhares de anos. É geralmente praticada em pequenos espaços no interior do continente, muitas vezes coletivamente, utilizando técnicas muito simples e, por vezes, de maneira itinerante. Destaque para a produção de mandioca, arroz, sorgo e batata


                    AGRICULTURA NO CONTINENTE
No entanto, as áreas de agricultura de subsistência têm cedido espaço para uma agricultura de caráter comercial. É o caso da região do Sahel onde a aplicação de práticas agrícolas agressivas ao meio ambiente tem provocado a desertificação dessa região, além da substituição de uma policultura alimentícia pela monocultura do algodão.
No extremo norte do continente encontramos uma agricultura do tipo
mediterrânea com o cultivo de uva, oliveiras, tâmaras e cereais.
O grande destaque na agricultura africana é o plantation, monocultura voltada para o mercado externo. Uma das áreas mais importantes para essa agricultura é a África Ocidental. Essa produção para exportação foi introduzida e estimulada pelo colonizador europeu. Podemos lembrar da produção de café (Etiópia, Costa do Marfim, Angola...), de cacau (Nigéria, Gana...), algodão (no Sudão e Egito), amendoim (no Senegal) e cana-de-açúcar (África do Sul).
Nas áreas desérticas é tradicional a prática da pecuária nômade com a criação de camelos. A atividade de criação de animais não é significativa no continente. Suas características climáticas, as densas florestas e os desertos, as pastagens ruins, o baixo nível de renda da população (mercado restrito) e os ataques de animais carnívoros em algumas áreas, limitam muito essa atividade.
A África do Sul destaca-se por uma produção agrícola mais diversificada e uma pecuária de melhor qualidade, abastecendo principalmente o mercado interno e com razoável grau de mecanização.
Indústria
O setor industrial é muito limitado. Faltam capitais, tecnologia, mão-de- obra especializada, uma melhor rede de transportes e mercado consumidor pois o nível de renda da população é muito baixo. A maior parte dos países africanos é dependente da importação de produtos industrializados. Na maioria dos casos de industrialização ainda em estágio inicial, são encontrados setores industriais muito simples como o têxtil, produtos comestíveis, produtos de borracha, objetos de madeira, beneficiamento agrícola e aquela que está ligada ao setor de mineração.
Fatores que provocam deficiências no setor industrial
falta de capital
reduzido desenvolvimento tecnológico
falta de mão-de-obra qualificada
rede de transportes precária
mercado consumidor restrito
Mais uma vez o destaque é a África do Sul que apresenta um parque industrial diversificado nos setores de bens de consumo e de base. É uma importante região econômica o Transvaal onde se localizam Johanesburgo e Pretória. Secundariamente podemos lembrar do Egito e da Nigéria.

Resumindo a economia da África...
Características gerais:
base primária exportadora (minérios e produtos agrícolas)
influência do colonizador europeu
modo de vida tradicional alterado
pecuária nômade em áreas desérticas
agricultura de plantation
dependência de capitais e tecnologia
reduzida industrialização.
Questões Geopolíticas
O recente passado colonial e o jogo da Guerra Fria entre as superpotências afetaram diretamente os países do continente africano. A política de alianças e de influência dos EUA e da URSS foi registrada, por exemplo, no sul do continente. “Tolerou-se” o regime do apartheid na África do Sul enquanto esse país foi importante no combate aos regimes socialistas instalados em Angola e Moçambique, da mesma forma que esses países insuflavam a população negra sul-africana a se rebelar contra as autoridades brancas da África do Sul. É nesse quadro que se pode compreender a presença de assessores militares cubanos em auxílio às tropas angolanas na luta contra a UNITA. Vamos analisar rapidamente alguns casos do conturbado quadro geopolítico africano:
*Angola – foi colônia portuguesa e, após sua independência, organizou um
governo socialista que passou a ser combatido pela UNITA (União Nacional para a Independência Total de Angola). Os combates entre o MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola – ligado ao governo socialista) e a UNITA (contra o governo socialista) seguiram-se por mais de uma década e meia, impedindo o funcionamento normal da economia e afastando potenciais investimentos nesse país. Após o fim da Guerra Fria esse conflito deixou de ser uma disputa ideológica entre os mundos capitalista e socialista para se tornar uma disputa interna pelo poder. O governo angolano já abandonou a experiência socialista e acordos de paz entre os dois oponentes já foram experimentados, mas os combates não se encerraram totalmente. Além da miséria da população (um dos países mais pobres do mundo), assolada por subnutrição e epidemias (como a Aids) é alarmante o número de mutilados pelos conflitos e pelas explosões acidentais de minas pessoais enterradas no solo.
*Argélia -foi colônia francesa que a considerava uma extensão do território
francês. Para se tornar independente enfrentou uma guerra sangrenta contra seus colonizadores entre 1954 e 1962. Nesse ano (1962) mais de um milhão de colonos franceses voltam para seu país. Em 1991 o governo (ligado a FLN – Frente de Libertação Nacional – que assumiu o poder após a independência em relação à França) aplica um golpe de Estado impedindo a vitória em segundo turno de eleições presidenciais por parte da FIS (Frente Islâmica de Salvação). O golpe teve apoio discreto do Ocidente, especialmente da França (importador de gás natural da Argélia), que passou a sofrer atentados terroristas por parte de grupos fundamentalistas islâmicos. Na Argélia, durante a década de 1990, desenvolve-se uma guerra civil e constantes ataques da FIS sobre o governo.
*África Central –nas áreas fronteiriças entre Burundi, Ruanda e a República
Democrática do Congo (ex-Zaire) desenvolve-se um dos conflitos mais sangrentos do continente entre as etnias hutu e tutsi. As constantes tentativas de extermínio de um grupo sobre outro têm provocado ondas de milhões de refugiados que apenas subsistem em situação precária em campos de refugiados esperando a ajuda internacional por parte de organizações oficiais e
não-governamentais, ou apenas esperando a morte. Esse é mais um conflito
que tem provocado um elevado número de mutilados.
frica do Sul – mesmo após o fim do apartheid, o governo negro sul-
africano tem problemas para resolver: a inserção da África do Sul em uma economia globalizada, a volta dos investimentos estrangeiros e do crescimento da economia, as grandes desigualdades sociais internas e os desentendimentos entre os grupos negros pertencentes a tribos inimigas, além dos efeitos negativos da epidemia da Aids. Ao mesmo tempo, o governo sul-africano procura recolocar a África do Sul na liderança política do continente, ou pelo menos da África sub-saariana.
*Eritréia e Etiópia – após muitos anos em conflito, a Eritréia consegue sua
independência em 1993, deixando a Etiópia sem litoral. Esse conflito também recebeu influências do jogo da Guerra Fria quando na década de 1970 surge um movimento nacionalista de separação da Etiópia e de tendência marxista. Na década de 90, mesmo após a independência novos conflitos ocorrem por divergências entre os dois governos, mas torna-se difícil para a Eritréia sustentar os conflitos com a Etiópia da qual até depende economicamente.
*Serra Leoa –é uma das nações mais pobres do mundo e devastada por
violenta guerra civil entre grupos étnicos inimigos. Nessa guerra ocorreu grande utilização de crianças como combatentes e motivou intervenção por parte da ONU. Desenvolve-se atualmente um plano de paz para o país.
*Somália –vários clãs disputam internamente o poder. Apesar de
intervenções internacionais, inclusive dos Estados Unidos, o país continua refém da instabilidade. Pode-se dizer que sequer existe um governo que administre um país, destroçado política e economicamente. Suspeita-se de ser refúgio de grupos terroristas. A população, miserável, é vítima dos conflitos e da fome desde os anos 80.
*Sudão –observam-se conflitos entre a comunidade muçulmana do norte,
que detém o poder político no país e grupos separatistas cristãos no sul. A
guerra civil já fez milhões de mortos e refugiados.
*Observações e conclusão –é importante frisar mais uma vez que esses
conflitos destroem ainda mais economias muito frágeis, afastam potenciais investimentos estrangeiros (a África é um continente esquecido pela economia globalizada, vive à margem do mundo multipolar), provocam o mais elevado índice de mutilados (elevando a quantidade de mão-de-obra incapacitada para o trabalho) e são muitas vezes determinados pela divisão arbitrária de fronteiras feita pelo colonizador europeu ou estimuladas pelo jogo da Guerra Fria entre as superpotências. Muitas vezes, o financiamento dos grupos que participam das guerras civis, é feito através do contrabando das próprias riquezas naturais do continente, como ocorre com o diamante e outros recursos minerais no caso da Guerra Civil em Serra Leoa, em Angola e na República Democrática do Congo onde conflitos nos anos 90 deixaram milhões de mortos (no ex-Zaire, que foi colônia da Bélgica, existem muitos recursos
naturais – nos anos 90, sérios conflitos ocorreram num período de grande instabilidade política com a troca de ditadores no país: Mobuto Sese Seko por Laurent Kabila, posteriormente assassinado e substituído por seu filho, Joseph Kabila que busca um diálogo nacional e um plano de paz para o país).As perspectivas para o continente são muito sombrias, considerando-se também, mais uma vez, o problema da fome e das epidemias que matam milhões no continente.

Exercícios

1- (CESGRANRIO) – A República Democrática do Congo constitui-se num dos países mais ricos da África. Selecione, na relação abaixo, o principal fator que contribui para isto.
a) Riqueza madeireira proporcionada pela floresta equatorial do Congo
b) “Plantations” de borracha e oleaginosas do Baixo Congo
c) Extensas fazendas dedicadas ao cultivo do algodão no Médio Congo
d) Subsolos ricos em cobre, estanho e urânio no planalto de Catanga
e) Industrialização dos recursos

2- (CESGRANRIO) Qual das frases abaixo se enquadra dentro da
caracterização do continente africano?
a) A agricultura africana apesar de atrasada oferece bons rendimentos
b) Os fatores ecológicos do continente são favoráveis ao desenvolvimento de
novas potências africanas
c) As unidades étnicas iguais constituem, hoje, países iguais
d) O preço da liberdade foi a fragmentação política
e) Nenhuma das frases propostas faz sentido, diante da conjuntura histórica e
geográfica do continente africano.


3- (USP) Dos recursos naturais citados abaixo, qual deles, se esgotado
em futuro próximo, afetaria mais profundamente a economia da Líbia?
a) minério de ferro
b) manganês
c) petróleo
d) carvão mineral
e) estanho

4- (USJT) Em 1994, a República Sul-Africana ou África do Sul promoveu a primeira eleição multirracial de sua história. Isso foi possível graças:
a) à invasão do país pelos EUA, garantindo as eleições
b) à divisão total do país em várias repúblicas
c) ao fim do “apartheid”, assegurando a igualdade de direitos entre brancos e negros
d) ao expansionismo sul-africano que anexou a Namíbia e Botsuana
e) à guerra civil ocorrida no país, permitindo a realização das eleições

5- (MAUÁ) A República da África do Sul ocupa o primeiro lugar entre as nações africanas em relação ao desenvolvimento econômico e industrial. Justifique tal fato citando os principais fatores deste desenvolvimento

quinta-feira, 17 de maio de 2012

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Urbanização Mundial - O surgimento das cidades

Cidade urbanizada
Uma cidade nasce a partir do momento em que um determinado número de pessoas se instala numa certa região através de um processo denominado de urbanização.
Diversos fatores são determinantes na formação das cidades, tais como a industrialização, o crescimento demográfico, etc...


Cidade

As primeiras cidades surgiram na Mesopotâmia (atual Iraque), depois vieram as cidades do Vale Nilo, do Indo, da região mediterrânea e Europa e, finalmente, as cidades da China e do Novo Mundo.
Embora as primeiras cidades tenham aparecido há mais de 3.500 anos a.C., o processo de urbanização moderno teve início no século XVIII, em conseqüência da Revolução Industrial, desencadeada primeiro na Europa e, a seguir, nas demais áreas de desenvolvimento do mundo atual. No caso do Terceiro Mundo, a urbanização é um fato bem recente. Hoje, quase metade da população mundial vive em cidades, e a tendência é aumentar cada vez mais.
A cidade subordinou o campo e estabeleceu uma divisão de trabalho segundo a qual cabe a ele fornecer alimentos e matérias-primas a ela, recebendo em troca produtos industrializados, tecnologia etc. Mas o fato de o campo ser subordinado à cidade não quer dizer que ele perdeu sua importância, pois não podemos deixar de levar em conta que:
Por não ser auto-suficiente, a sobrevivência da cidade depende do campo;
Quanto maior a urbanização maior a dependência da cidade em relação ao campo no tocante à necessidade de alimentos e matérias-primas agrícolas.


Como uma cidade se forma: A urbanização

Fenômeno ao mesmo tempo demográfico e social, a urbanização é uma das mais poderosas manifestações das relações econômicas e do modo de vida vigentes numa comunidade em dado momento histórico.
Urbanização é o processo mediante o qual uma população se instala e multiplica numa área dada, que aos poucos se estrutura como cidade. Fenômenos como a industrialização e o crescimento demográfico são determinantes na formação das cidades, que resultam, no entanto da integração de diversas dimensões sociais, econômicas, culturais e psicossociais em que se desempenham papéis relevantes às condições políticas da nação.
O conceito de cidade muda segundo o contexto histórico e geográfico, mas o critério demográfico é o mais usualmente empregado. A Organização das Nações Unidas (ONU) recomenda que os países considerem urbanos os lugares em que se concentrem mais de vinte mil habitantes. As nações, porém, organizam suas estatísticas com base em muitos e diferentes padrões. Os Estados Unidos, por exemplo, identificam como "centro urbano" qualquer localidade onde vivam mais de 2.500 pessoas. O processo de urbanização, no entanto, não se limita à concentração demográfica ou à construção de elementos visíveis sobre o solo, mas inclui o surgimento de novas relações econômicas e de uma identidade urbana peculiar que se traduz em estilos de vida próprios.
Para avaliar a taxa de urbanização de um país utilizam-se três variáveis: o percentual da população que vive nas cidades de mais de vinte mil habitantes; o percentual da população que vive em cidades de mais de cem mil habitantes; e o percentual da população urbana classificada como tal segundo o critério oficial do país. A taxa de urbanização também pode ser expressa mediante a aplicação da noção de densidade, isto é, o número de cidades de mais de cem mil habitantes comparado à densidade demográfica total. Com esse método é possível comparar entre si regiões e países.
Existe estreita correlação entre os processos de urbanização, industrialização e crescimento demográfico. A cidade pré-industrial caracteriza-se pela simplicidade das estruturas urbanas, economia artesanal organizada em base familiar e dimensões restritas. Sob o impacto da industrialização, modificam-se em quantidade e qualidade as atividades econômicas, acelera-se a expansão urbana e aumenta a concentração demográfica. As antigas estruturas sociais e econômicas desaparecem e surge uma nova ordem, que passa a ser característica das cidades industriais. Nesse primeiro período, a indústria pesada e concentrada, grande consumidora de mão-de-obra, atrai para os novos centros contingentes populacionais que exercem sobre as estruturas de serviço existentes demandas que não podem ser atendidas.
Com a continuidade do processo de urbanização, a cidade se transforma de diversas formas: setores urbanos se especializam; as vias de comunicação se tornam mais racionais; criam-se novos órgãos administrativos; implantam-se indústrias gradativamente na periferia do núcleo urbano original e modificam-lhe a feição; classes médias e operárias que, pela limitação da oferta existente em habitação, passam a alojar-se em subúrbios e mesmo em favelas; e, sobretudo, a cidade deixa de ser uma entidade espacial bem delimitada.
A expansão industrial se acompanha de acelerado desenvolvimento do comércio e do setor de serviços, e de importante redução da população agrícola ativa. O crescimento das cidades passa a ser, ao mesmo tempo, conseqüência e causa dessa evolução. A indústria, mecanizada, passa a consumir mão-de-obra
mais reduzida e especializada. As atividades terciárias tomam seu lugar como motores de crescimento urbano e, em conseqüência, do processo de urbanização.


Urbanização contemporânea

As características essenciais da urbanização contemporânea são sua velocidade e generalização, o que acarreta grande sobrecarga para a rede de serviços públicos, acentua os contrastes entre zonas urbana e rural e aprofunda as insuficiências econômicas de produção, distribuição e consumo. Os sistemas de produção chegam a um ponto de estrangulamento, enquanto as necessidades de consumo passam por intensa vitalização. O somatório de todos esses fatores acaba por produzir um estado de desequilíbrio.
Em função do congestionamento, a cidade tende a expandir seus limites e nascem assim bairros, subúrbios e a periferia, que podem dar origem a novas cidades. A urbanização estendida a uma grande área circundante origina uma nova morfologia urbana, na qual se distinguem regiões diversas: zona urbanizada, isto é, conjunto ininterrupto de habitações; zona metropolitana, que engloba o núcleo central e seus arredores; megalópole, resultado da fusão de várias zonas metropolitanas; cidades novas e cidades-satélites. Independentemente da forma que assume, o processo de urbanização apresenta sempre uma hierarquia, isto é, cidades de tamanhos diferentes e com funções diversas: capitais, descanso, turismo, industriais e outras.
Qualquer que seja sua função, a cidade não é apenas uma unidade de produção e consumo, caracterizada por suas dimensões, densidade e congestionamento.
Representa também uma força social, uma variável independente no interior de um processo mais amplo capaz de exercer as mais variadas influências sobre a população e cuja principal conseqüência é o surgimento de uma cultura urbana. No plano material, essa cultura cria um meio técnico e inúmeras exigências concretas: água, esgotos e serviços em geral. No plano psicossocial, manifesta-se pelo aparecimento de uma nova personalidade.
A deterioração do meio urbano é uma das conseqüências mais evidentes da rapidez com que se processa a urbanização. Em decorrência, esse meio apresentasse incompleto e imperfeito: favelas, habitações deterioradas, zonas a renovar e recuperar, superposição de funções e outras anomalias. O remanejamento exige mais do que o planejamento material simples: aumento da rede de serviços, ampliação da oferta em habitações e racionalização da ocupação do solo. Torna-se fundamental a criação de novas estruturas, correspondentes à nova realidade.


Conceito de Urbanização

A urbanização resulta fundamentalmente da transferência de pessoas do meio rural (campo) para o meio urbano (cidade). Assim, a idéia de urbanização está intimamente associada à concentração de muitas pessoas em um espaço restrito (a cidade) e na substituição das atividades primárias (agropecuária) por atividades secundárias (indústrias) e terciárias (serviços). Entretanto, por se tratar de um processo, costuma-se conceituar urbanização como sendo "o aumento da população urbana em relação à população rural", e nesse sentido só ocorre urbanização quando o percentual de aumento da população urbana é superior a da população rural.


A urbanização no mundo

A Inglaterra foi o primeiro país do mundo a se urbanizar (em 1850 já possuía mais de 50% da população urbana), no entanto a urbanização a celerada da maior parte dos países desenvolvidos industrializados só ocorreu a partir da segunda metade do século XIX. Além disso, esses países demoram mais tempo para se tornar urbanizados que a maioria dos atuais países subdesenvolvidos industrializados.
Vemos, então, que, em geral, quanto mais tarde um país se torna industrializado tanto mais rápida é sua urbanização. Observe esses dados:
  • Em 1900 existiam no mundo dezesseis cidades com população superior a 1 milhão de habitantes. Dessa, somente duas (Pequim e Calcutá) pertenciam ao Terceiro Mundo.
  • Em 1950 havia vinte cidades no mundo com população superior a 2,5 milhões de habitantes. Dessas, apenas seis (Xangai, Buenos Aires, Calcutá, Bombaim, Cidade do México e Rio de Janeiro) estavam situadas no Terceiro Mundo. Observação: a cidade de São Paulo nem constava dessa lista.
  • Para o ano 2000, as estimativas mostram que, das 26 aglomerações urbanas com mais de 10 milhões de habitantes, nada menos que vinte delas estarão no Terceiro Mundo. A maior aglomeração urbana mais populosa do mundo será a Cidade do México, com 32 milhões de habitantes, o equivalente à população da Argentina em 1990. São Paulo aparece como a segunda aglomeração urbana, com 26 milhões de habitantes.


Urbanização nos diferentes grupos de países

Considerando-se os vários agrupamentos de países, a situação urbana pode ser simplificada como mostramos a seguir:
Países capitalistas desenvolvidos. A maior parte desses países já atingiu índices bastante elevados e, praticamente, máximos de urbanização. A tendência, portanto, é de estabilização em torno de índices entre 80 e 90%, embora alguns já tenham ultrapassado os 90%.
População urbana em alguns países desenvolvidos industrializados (1989):
Países capitalistas subdesenvolvidos: Nesse grupo, bastante heterogêneo, destacamos:
Subdesenvolvidos industrializados: A recente e rápida industrialização gerou acentuado desequilíbrio das condições e da expectativa de vida entre a cidade e o campo, resultando num rapidíssimo processo de urbanização, porém com conseqüências muito drásticas (subemprego, mendicância, favelas, criminalidade etc.). Isso porque o desenvolvimento dos setores secundário e terciário não acompanhou o ritmo da urbanização, além da total carência de uma firme política de planejamento urbano. Alguns desses países apresentam taxas de urbanização iguais e até superiores às de países desenvolvidos, embora, com raras exceções, a urbanização dos países subdesenvolvidos se apresente em condições extremamente precárias (favelas, cortiços etc.). 
Subdesenvolvidos não-industrializados: Em virtude do predomínio das atividades primárias, a maior parte desses países apresenta baixos índices de urbanização,
Países socialistas: Os países socialistas são relativamente pouco urbanizados. A razão fundamental está na planificação estatal da economia, que tem permitido ao estado controlar e direcionar os recursos (investimentos), podendo assim exercer maior influência na distribuição geográfica da população. Os índices de população urbana dos países socialistas desenvolvidos são semelhantes aos dos subdesenvolvidos industrializados.


Urbanização no Brasil  

O processo de urbanização brasileira começou a partir de 1940, como resultado da modernização econômica e do grande desenvolvimento industrial graças à entrada de capital estrangeiro no país.
As empresas transnacionais preferiram se instalar nas cidades em que a concentração populacional fosse maior e de melhor infra-estrutura, dando origem às grandes metrópoles. A industrialização gerou empregos para os profissionais qualificados, expandiu a classe média e o nível de consumo urbano. A cidade transformou-se num padrão de modernidade, gerando o êxodo rural.
A tecnologia e o nível de modernização econômica não estavam adaptados à realidade brasileira.
A migração campo-cidade gerou desemprego e aumento das atividades do setor terciário informal.
O modelo de desenvolvimento econômico e social adotado no Brasil a partir dos anos 50 levou a um processo de metropolização. Ocorrência do fenômeno da conurbação, que constituem as regiões metropolitanas (criadas em 1974 e 1975).
A partir da década de 80 houve o que se chama de desmetropolização, com os índices de crescimento econômico maiores nas cidades médias, havendo assim um processo de desconcentração econômica.
Outras regiões passaram a atrair mais que as regiões metropolitanas, havendo também desconcentração populacional.
Está ocorrendo um declínio da importância das metrópoles na dinâmica social e econômica do país. Um número crescente de cidades passou a pertencer ao conjunto das cidades médias e grandes.
Podemos dizer que o Brasil se modernizou e que a grande maioria da população brasileira, já está de alguma forma integrada aos sistemas de consumo, produção e informação.
Existe hoje uma integração entre o Brasil urbano e o agrário, um absolvendo aspectos do outro. A produção rural incorporou inovações tecnológicas produzidas nas cidades. O Brasil rural tradicional está desaparecendo e sobrevive apenas nas regiões mais pobres.
A produção comercial está cada vez mais voltada para a cidade. A produtividade aumentou e o meio rural integrou-se aos principais mercados nacionais e internacionais.
A implantação de modernos sistemas de transportes e de comunicações reduziu as distâncias e possibilitou a desconcentração das atividades econômicas, que se difundiram por todo o país e hoje são coordenadas a partir de diretrizes produzidas nos grandes centros nacionais e internacionais.
Segundo o modelo informacional, São Paulo é a metrópole mundial brasileira que exerce controle sobre os principais sistemas de comunicação que difundem as inovações por todo o país, através dos meios de comunicação.
Observa-se uma ruptura com a hierarquia urbana tradicional e a formulação de um novo modelo de relações, muito mais complexo e adequado ao quadro social e econômico do Brasil contemporâneo.
Até poucas décadas atrás, o Brasil era um país de economia agrária e população majoritariamente rural.
Hoje, 8 em cada 10 brasileiros vivem em cidades A concentração de pessoas em centros urbanos traz uma série de implicações, sejam elas de ordem social, econômica ou ambiental.
O sentido mais usual, da urbanização, é o de crescimento urbano, ou seja, refere-se à expansão física da cidade, mediante o aumento do número de ruas, praças, moradias, etc. Nesse caso, ela não tem limite, a ponto de unirem-se umas às outras, num fenômeno conhecido por conurbação.
Um outro sentido atribuído à urbanização envolve o crescimento da população das cidades, acontecendo em um ritmo superior ao da população rural.
É na expansão do modo de vida urbano que podemos localizar importantes elementos para a análise do processo de urbanização no momento presente.
A urbanização do século XX foi marcada por importantes características, a começar pelo ritmo bastante acelerado de crescimento das cidades e pela sua abrangência, agora mundial. De fato, as transformações que o capitalismo promoveu em diversas sociedades nacionais contribuíram para que este processo se desencadeasse em diversas nações, mesmo naquelas onde a industrialização não foi representativa, isto é, em diversas áreas do mundo subdesenvolvido. Uma outra característica se refere ao processo de metropolização. De fato, as metrópoles encontram-se generalizadas, embora sua presença seja mais marcante nos EUA, Japão, China, Europa Ocidental e América Latina.
As metrópoles exercem influência em praticamente todo o território nacional, promovendo a difusão de novas formas de vida, além de imprimirem mudanças na organização do espaço geográfico.
Na atualidade, de cada 100 brasileiros, aproximadamente 78 vivem em cidades. Apesar de o ritmo de urbanização estar declinando em nosso país, ainda ocorre transferência de população do meio rural para o meio urbano. Os grandes centros urbanos do Brasil convivem com uma série de problemas, tanto socioculturais como ambientais e econômicos. Os engarrafamentos quilométricos, geradores de fumaça e ruídos que interferem na qualidade de vida; a volumosa produção de lixo, o que exige espaço para o seu depósito e cuidados ecológicos com o seu manejo; a carência de áreas verdes para o lazer e o entretenimento das pessoas; a especulação imobiliária que conduz a ocupações irregulares, muitas delas ocorrendo em áreas de preservação, como os fundos de vales.
Por outro lado, as metrópoles não representam apenas problemas, aparentemente insolúveis. Ao contrário, seu extraordinário dinamismo é gerador de ofertas de trabalho e de negócios, além de concentrador de recursos financeiros e de consumo. Nesse sentido, sua dinâmica também promove soluções para as dificuldades que fazem parte de seu cotidiano.

sábado, 5 de maio de 2012

LIÇÃO JOVEM 05 á 11 DE MAIO

Evangelismo e testemunho pessoal


Casa Publicadora Brasileira – Lição dos jovens 622012




“‘Vocês são Minhas testemunhas’, declara o Senhor, ‘e Meu servo, a quem escolhi’” (Is 43:10).

Prévia da semana: Testemunho pessoal é um convite para que outras pessoas tenham uma exata percepção da diferença que Deus faz em nossa vida.

Leitura adicional: Lucas 8:4-15; João 1:35-50; Mensagens aos Jovens, p. 197, 198; Morris Venden, Como Tornar Real o Cristianismo, p. 71-86

Domingo, 6 de maio
cpb - introdução

Testemunha cheia do Espírito Santo



Você já segurou a respiração até quase desmaiar? É interessante observar como o corpo trava as lutas quanto ao que você tenta fazer. Em algum momento, haverá uma liberação e você vai inspirar oxigênio fresco. Em termos espirituais, estamos cheios do Espírito Santo de Deus. Os verdadeiros seguidores cheios do Espírito de Cristo respiram Suas ordens, amor, fé e esperança, e não podem evitar repartir com os outros sua recém-encontrada vida.

Jesus chama cada crente pelo nome e sabe exatamente como ele servirá em Seu reino. É um tipo bonito de troca. Ele nos convida a nos comprometermos em fidelidade a Ele, então nos unge em Seu amor e enche-nos com Seu Espírito. Por Sua vez, o Espírito Santo equipa cada crente com as ferramentas necessárias para repartir o amor de Deus. O processo de equipar é um dos mais miraculosos na experiência cristã. Quem dera todos pudéssemos passar mais tempo com a Palavra de Deus e em oração para que Ele pudesse nos revelar Seus dons e refiná-los em nossa vida!

Você e eu podemos ser testemunhas diárias para Cristo. Quando temos uma conexão com Ele, não podemos evitar ser transformados em pensamento e ações (Rm 12:2). O amor dEle começa a fluir de nós para os outros. Somos chamados a começar essa obra com os mais achegados a nós – cônjuge, filhos, família, vizinhos, amigos e colegas. A medida do sucesso evangelístico são as vidas restauradas e nova esperança e poder encontrados em Jesus.

C. S. Lewis disse: “A salvação de uma única pessoa é mais importante que a produção e preservação de todos os épicos e dramas no mundo.”* Não podemos ter ideia do peso da responsabilidade que repartimos com Cristo na missão de salvar pessoas. As Escrituras afirmam que “a eles foi revelado que estavam ministrando, não para si próprios, mas para vocês, quando falaram das coisas que agora lhes foram anunciadas por meio daqueles que lhes pregaram o evangelho pelo Espírito Santo enviado do Céu; coisas que até os anjos anseiam observar” (1Pe 1:12; grifo nosso).

Não permitamos que o conhecimento da graça de Deus seja desperdiçado por causa de nosso medo, culpa ou preguiça. Nesta semana, convido-o a considerar como você pode se tornar equipado pelo Espírito Santo.

* C. S. Lewis, “Christianity and Literature”, Christian Reflections (Eerdmans, Grand Rapids, Mich.:1995), p. 10.

Mãos à Bíblia

Nosso relacionamento pessoal com Jesus influenciará diretamente o sucesso de nosso testemunho em Seu favor. Quanto mais intensa for nossa conexão com Jesus, mais poder teremos ao testemunhar.

1. Que relacionamento tinham Pedro e João com Jesus e o que essa conexão os capacitou a realizar? O que significa o fato de que os membros do Sinédrio “reconheceram que eles haviam estado com Jesus”? Como deve ser a pessoa que tem “estado com Jesus”? At 4:13, 14

Jean-Pierre MartinezSidnei, Austrália

Segunda, 7 de maio
cpb - evidência

Sérios candidatos



João Batista tinha um grupo de discípulos que o seguiam e aprendiam seus ensinos. Eram provavelmente homens jovens, talvez mesmo adolescentes. Eles o chamavam “rabi” como sinal de respeito e afeição. Havia níveis diferentes de discipulado. Alguns discípulos eram mais parecidos com fãs de esporte que aparecem toda vez que o time joga em casa. Eles vinham ouvir seu professor falar quando Ele estava na área e doavam comida e dinheiro para a causa. Mulheres eram aceitas como esse tipo de discípulo. Outros discípulos eram mais semelhantes a aprendizes profissionais que estudavam com o professor, esperando que eles mesmos se tornassem professores.

Um discípulo sério escolheria um rabi e perguntaria: “Posso segui-lo?” Esse pedido jamais foi registrado no caso dos doze discípulos. Ao contrário, Jesus os escolheu. Numa ocasião em que um homem se aproximou de Jesus e pediu permissão para segui-Lo, Jesus o desencorajou dizendo: “As raposas têm suas tocas e as aves do céu têm seus ninhos, mas o Filho do homem não tem onde repousar a cabeça.”

Os discípulos mencionados em João 1 pareciam estar buscando algo sério, como evidenciado pelo anúncio triunfante de André ao seu irmão. Messias significa “o ungido”. No tempo do Antigo Testamento, esse título poderia ser aplicado a qualquer rei ou sacerdote, mas por essa época, os judeus usavam essa expressão para se referir a um rei que viria. Subjugados como estavam ao domínio romano, começaram a pensar que esse rei seria um líder militar que expulsaria os romanos e seus bajuladores que “molhavam a mão”; esse rei introduziria uma era dourada para Israel.

Quando Filipe disse “achamos Aquele sobre quem Moisés escreveu na Lei”, ele provavelmente estava se referindo a Deuteronômio 18:15, onde Moisés diz: “O Senhor, o seu Deus, levantará do meio de seus próprios irmãos um Profeta como eu; ouçam-nO”.

Esses discípulos estavam olhando em direção à promessa profética de um Salvador vindouro. Rapidamente, eles se juntaram àqueles que repartiam essa esperança. Se hoje, ansiosamente, focalizarmos o olhar na vinda de Jesus, nos conectaremos com pessoas que serão receptivas à nossa mensagem e estarão prontas a conosco anteciparem o segundo advento.

Mãos à Bíblia

Aqueles com quem interagimos pessoalmente em vários níveis de intimidade são, na realidade, nosso campo missionário pessoal. A partir de nossas relações familiares mais íntimas, podemos avançar na direção de outros parentes, amigos e conhecidos.

2. Antes de falar com qualquer pessoa sobre o Messias que havia encontrado, com quem André falou? Por quê? Jo 1:37-42


3. Como as relações interpessoais podem encaminhar pessoas para Jesus? De que forma Filipe respondeu ao ceticismo de Natanael? Que lições podemos tirar dessa história? Jo 1:43-50

Kim PeckhamSharpsburg, Maryland, EUA

Terça, 8 de maio
cpb - exposição

O poder da conexão



Palavra de boca em boca (Jo 1:35-50). William Bernbach, o publicitário que apresentou a América ao Fusca Volkswagen, criou anúncios vencedores premiados que apareceram em revistas e na televisão. Contudo, na opinião dele, “a palavra de boca em boca é o melhor meio de todos”.

A palavra transmitida de boca em boca tem sido essencial ao testemunho desde que os primeiros seguidores foram atraídos a Cristo. Certo dia, João Batista apontou para um homem na multidão e disse: “Vejam! Ele é o Cordeiro de Deus!” Imediatamente, dois dos discípulos de João começaram a seguir Jesus. Pode parecer rude terem abandonado seu professor. Contudo, de certa maneira, eles o honraram ao levarem a sério sua afirmação profética. Eles queriam saber mais.

Tempo juntos (Jo 1:38, 39). Como discípulos promissores, era de se esperar que João e André perguntassem: “Podemos segui-Lo?” Contudo, nenhum deles disse coisa alguma. Foi Jesus quem quebrou o silêncio ao perguntar: “O que vocês querem?” João e André responderam com uma pergunta: “Onde Você está hospedado?” Eles queriam falar com Ele demoradamente. Queriam estar juntos. “Venham e vejam”, disse Jesus.

É difícil testemunhar a alguém sem convidá-lo para vir à nossa casa – ou sem passar tempo na casa dele. Conversas que acontecem numa atmosfera calorosa e casual constroem relacionamentos. Muitos novos crentes descobriram que foi o relacionamento com um cristão que os ajudou a formar um relacionamento de salvação com Jesus.

Às vezes, desejamos poder arrebanhar as pessoas na igreja como gado no curral, sem tocá-las pessoalmente. Podemos dizer: “Aqui está uma folha com passagens que oferecem evidências. Nos vemos no próximo sábado.” Contudo, geralmente, precisamos investir de nós mesmos para aqueles a quem desejamos alcançar. É exigido nosso tempo e, às vezes, nosso dinheiro para criar uma conexão com aqueles que estão no mundo. Seria ridículo enviar a mensagem: “Deus ama você, mas, francamente, eu preferia não vê-lo além dos sábados pela manhã.”

Conforme as pessoas aprendem a confiar em nós, passam a crer no que temos a dizer sobre nosso cristianismo. Pode ser que leve muito tempo para isso acontecer. Estudiosos bíblicos acreditam que André e João “saíram” com Jesus por cerca de um ano e meio antes de responderem ao convite dEle para se juntarem aos discípulos dos quais falamos hoje.*

Conquistando maneiras (1Pe 3:1-15). Pedro declarou às mulheres casadas com descrentes que a “conduta honesta e respeitosa” delas conquistará o marido sem palavras. Isso não significa, necessariamente, que nosso estilo adventista levará as pessoas a vir correndo. Ninguém diz: “Ei, você não come porco? Deixe-me juntar-­me à sua religião.” Pedro está falando àqueles que têm relacionamento próximo com descrentes. São familiares que nos conhecem melhor do que ninguém. Eles serão capazes de enxergar se realmente temos o Espírito de Jesus dentro de nós e se isso é algo que eles querem para si mesmos.

Pulando o argumento (Jo 1:35-50; 1Pe 3:15). Filipe tinha boas notícias para Natanael. “Achamos Aquele sobre quem Moisés escreveu na Lei”, ele disse. Natanael não estava bem certo. Tinha dúvidas acerca de qualquer pessoa que viesse de Nazaré. Em lugar de ficar discutindo, Filipe simplesmente disse: “Venha e veja.”

A abordagem de Filipe ao testemunho não envolveu discussão. Ele apenas fez uma introdução; e então Jesus deu evidência de Sua messianidade para Natanael de maneira tão poderosa que o homem passou de sarcástico a crente em questão de segundos.

Se discutimos com outros sobre nossa fé, passamos a exercer o papel de advogados – e não um advogado que esteja do lado deles. Existem muito bons argumentos para o cristianismo. Porém, realmente achamos que podemos forçar as pessoas para dentro do tanque batismal pela força da lógica? Pedro diz que devemos dar a razão da nossa esperança, mas precisamos fazer isso com delicadeza. O poder convincente do Espírito Santo pode fazer muito mais do que jamais poderemos. Nosso trabalho não é “vender” Jesus, mas atuar de tal maneira que Jesus “venda” a Si mesmo. Algumas vezes isso é tão simples como se oferecer para orar com um amigo sobre um problema que ele esteja enfrentando. Orar pela ajuda de Cristo abre uma oportunidade para que Ele mostre Seu poder e Seu amor.

A longo prazo (Jo 4:38). André e João, o evangelista, estavam buscando o Messias e imediatamente O seguiram. Podemos encontrar pessoas que estejam buscando uma experiência espiritual mais profunda. Outros professores ou talvez as circunstâncias da vida podem tê-las preparado para vir diretamente para nossa igreja e ocupar um assento. No contexto de “pescadores de homens”, esses são os peixes que pularam da água para dentro do barco. Como Jesus disse, “Eu os enviei para colher o que vocês não cultivaram”.

Mas podemos esperar que o ato de testemunhar geralmente seja um longo processo que exige muita paciência e tempo – frequentemente, mais paciência e tempo do que estamos desejosos de sacrificar sem que Deus coloque amor pelas pessoas em nosso coração. Amor é o que forma conexões entre nós e as pessoas que precisam de Jesus, assim como é o amor que nos une ao coração de Deus.

*The SDA Bible Commentary, v. 5, p. 910.

Mãos à Bíblia

A Bíblia nos revela que Deus não está, necessariamente, procurando os mais qualificados para realizar Sua obra evangelística. Ele está em busca dos que estão dispostos a ser usados, sejam quais forem seus dons e talentos. Devemos examinar frequentemente nosso coração para avaliar nossa realidade espiritual. Por isso, é preciso pedir a Deus que nos examine e mostre nossa verdadeira condição. Ela definirá o potencial de nosso testemunho.

4. Por que Davi pediu que Deus sondasse seu coração? Que lições podemos tirar desse texto, não apenas para nosso testemunho, mas para nossa vida atual? Que conforto, esperança e encorajamento Deus tem para você? Ao mesmo tempo, o que esse salmo diz sobre as mudanças que você precisa fazer em sua maneira de viver? Sl 139

Lori PeckhamSharpsburg, Maryland, EUA

Quarta, 9 de maio
cpb - testemunho

Você: boca de anjo?



“Existem muitos que gastarão e se deixarão gastar para ganhar pessoas para Cristo. Em obediência à grande comissão, eles irão adiante para trabalhar pelo Mestre. Sob o ministério de anjos, homens comuns serão movidos pelo Espírito de Deus para admoestar as pessoas nas estradas e atalhos. Homens humildes, que não confiam em seus dons, mas que trabalham em simplicidade, confiando sempre em Deus, compartilham na alegria do Salvador enquanto suas orações perseverantes trazem pessoas para a cruz” (Ellen G. White, The Remnant Church: Its Organization, Authority, Unity, and Triumph, p. 36).

“Fui muito impressionada pelas cenas que recentemente passaram diante de mim durante a noite. Parecia haver um grande movimento – uma obra de reavivamento – avançando em muitos lugares. Nosso povo estava colocando-se em fila, respondendo ao chamado de Deus. Meus irmãos, o Senhor está falando conosco. Não ouviremos Sua voz? Não prepararemos nossas lâmpadas, e agiremos como homens que esperam a vinda do seu Senhor? Este é o tempo que requer luzes brilhando, que requer ação” (Ibidem, p. 43).

“Todos aqueles que se unem ao ministério são a mão ajudadora de Deus. Não existe uma profissão em que seja possível para a juventude receber maior benefício. Eles são cotrabalhadores com os anjos; particularmente, eles são agências humanas através das quais os anjos executam sua missão. Os anjos falam através de suas vozes, e trabalham por suas mãos. E os trabalhadores humanos, cooperando com as agências celestiais, têm o benefício de sua educação e experiência” (Ibidem, p. 44).

“Nunca houve um tempo em que o homem foi tão responsável para com Deus como o é na hora presente. Nunca houve um tempo em que a posição do ser humano foi tão crítica como o é agora. Todas as coisas na natureza e no mundo em geral são cobradas com intenso fervor. Satanás, em co­operação com seus anjos e com os homens maus, aplicará todo o esforço para ganhar a vitória, e parecerá alcançar sucesso. Mas nesse conflito, verdade e justiça triunfarão. Aqueles que creram na mentira serão destruídos; os dias da apostasia terminarão” (Ibidem, p. 50).

Mãos à Bíblia

Alguém alegar que ama a Deus e agir como se não O amasse é hipocrisia. O pior testemunho que pode ser dado se revela quando há desacordo entre profissão de fé e ação.

5. De que modo o cristão tem potencial para levar os incrédulos a Cristo? De que forma somos orientados a viver? Que poder acompanharia nosso testemunho se vivêssemos assim? De que maneira o relacionamento com Cristo influencia nosso testemunho? 1Pe 3:1-15; Mt 5:16

Nina AtchesonMargate, Queensland, Austrália

Quinta, 10 de maio
cpb - aplicação

Acenda a luz



No fim de semana passado, acendi as luzes do meu quarto, mas algumas delas não funcionaram. Inspecionei a caixa de fusíveis duas vezes, mas tudo parecia normal. O problema não foi resolvido até que contratei um eletricista. Aparentemente, uma tomada em particular havia corroído com o passar do tempo e a corrente não podia fazer a conexão necessária.

Testemunhos bem-sucedidos de cristãos requerem pelo menos duas coisas: (1) algo para testemunhar ou sobre o que falar e (2) a habilidade de se conectar com a(s) pessoa(s) a quem se quer testemunhar. João define testemunho ao declarar que “o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e as nossas mãos apalparam – isto proclamamos a respeito da Palavra da vida” (1Jo 1:1). Apesar de não termos fisicamente ouvido, visto nem tocado Jesus, falar aos outros sobre nossa experiência com Ele “pela fé” pode ter um efeito positivo.

Podemos contar como Sua voz doce e suave tem nos encorajado e confortado. Podemos contar como O temos “visto” realizar milagres em nossa vida. Podemos admitir que O “tocamos” indo até Ele em oração e descobrindo que Ele também pode ser tocado por “compadecer-Se das nossas fraquezas” (Hb 4:15). Obviamente e sem dúvida, se não tivemos nenhuma dessas experiências com Jesus, não temos coisa alguma sobre o que testemunhar!

Ter uma experiência com Jesus é o fundamento para o evangelismo pessoal bem-­sucedido. Mas tão essencial quanto isso, contudo, é fazer a conexão com alguém que precisa do testemunho. A corrente elétrica acenderá uma lâmpada se houver a conexão. Sem conexão, não existe luz. Para um testemunho eficaz, é necessário que o Espírito Santo faça a conexão entre a testemunha e a pessoa que está recebendo o testemunho.

O Espírito Santo remove qualquer coisa que possa atrapalhar o recebimento do testemunho. O Espírito Santo dá as palavras certas a ser proferidas. Ele cria a melhor oportunidade e uma mente aberta. Uma boa testemunha também usa palavras para o coração do ouvinte. Para ser uma força dinâmica para o bem, é imperativo que a testemunha cristã esteja submetida ao Espírito Santo. Oração diária, estudo da Bíblia e submissão criam uma ligação maravilhosa entre o humano e o divino! Como resultado dessa união, fluem rios de água viva (Jo 8:38), trazendo vida e luz a todo aquele que entra em conexão com o testemunho.

Mãos à Bíblia

Visto que a igreja é constituída por todos os membros, o esforço de cada um contribui para o evangelismo global da igreja. Você sabe quais são as estratégias de sua igreja para levar as pessoas a Jesus?

6. Que encorajamento encontramos no fato de que, na obra de evangelismo, uma pessoa semeia e outra colhe os frutos? O que significa isso? Essa verdade já se cumpriu em sua experiência? Jo 4:37, 38

J. Philip WilliamsHuntsville, Alabama, EUA

Sexta, 11 de maio
cpb - opinião

“Achamos o Messias”



Quando eu tinha 16 anos, fui para a Índia numa viagem missionária. Essa experiência mudou minha vida. Por quatro semanas, trabalhei num orfanato/internato em Tamil Nadu. Uma das minhas tarefas era ajudar os estudantes a desenvolver suas habilidades no inglês. Todos os dias eu ensinava inglês básico para os novos estudantes e conversava em inglês com os alunos mais antigos.

Outra de minhas tarefas – e, por sinal, minha favorita – era compartilhar o amor de Jesus com as garotas que viviam nos dormitórios. Muitas delas eram órfãs, portanto, não compreendiam totalmente o amor incondicional de um pai. Durante nossos estudos bíblicos noturnos, tentei apresentá-las a Jesus, aquele que poderia mudar a vida delas, retirar delas a dor e conceder um amor que muitas delas jamais haviam conhecido em relacionamentos humanos.

Muitas pessoas sentem que o evangelismo envolve viajar para longe de casa a fim de encontrar pessoas que jamais conheceram Jesus. Sim, Jesus tem pedido a cada um e a todos que falem ao mundo sobre Ele. Contudo, existem muitas pessoas – provavelmente em seu círculo de amigos – que não O conhecem.

Conhecer Jesus é diferente de conhecer sobre Ele. Conhecê-Lo é diferente de meramente aparecer na igreja a cada sábado, ler sua Bíblia, ou comer comidas saudáveis. Conhecê-Lo resulta de um desejo ardente e profundo de se tornar um com Ele – de partilhar Seu sofrimento, Sua missão e, abençoadamente, Sua graça. Mesmo em nossa igreja existem pessoas que não O conhecem porque elas estão emaranhadas em todas as “coisas” possíveis que podem ficar no caminho e impedem de se ter um verdadeiro relacionamento com Ele.

Você pode ser chamado para viajar a países distantes a fim de testemunhar àqueles que não conhecem Jesus, mas sempre será chamado a testemunhar para sua família, amigos e colegas de trabalho. Esse tipo de trabalho missionário pode ser difícil. Ele pode desafiá-lo a sair de sua zona de conforto. Contudo, ao fim do dia, o que pode ser mais gratificante, mais bonito do que ouvi-los dizer: “Encontramos o Messias!”?

Mãos à obra

1. Sente-se num parque movimentado e tente descobrir o tipo de trabalho que os transeuntes fazem e se confiaria neles o suficiente para fazer esse trabalho para você. Todos os humanos constantemente enviam mensagem às pessoas ao redor delas. Que mensagens não verbais você está enviando para aqueles a quem está testemunhando? Como sua resposta o ajuda a ser uma testemunha melhor?
2. Estude o Salmo 23 e relacione maneiras nas quais a mensagem desse Salmo seja relevante para você pessoalmente. Então, em um ambiente confortável, compartilhe a essência de suas descobertas com um amigo não cristão.
3. Prepare uma refeição para cinco pessoas cujas necessidades dietéticas você desconhece. O que faria para se assegurar de que todos tenham uma refeição satisfatória? Em que sentido preparar e servir uma refeição se assemelha ao testemunho eficaz?

Allison SaucedaCenterville, Ohio, EUA